quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Preparando o caminho

Faltando pouco mais de um mês para o findar de 2017, partimos para o campo missionário com o firme propósito de discipular os irmãos em Cristo que irão passar pelo Batismo em Dezembro. Aproveitamos o feriado prolongado e, seguimos rumo ao norte de Minas Gerais. Chegando lá, uma agenda repleta de visitas, cultos, evangelismo e trabalho social nos aguardava. Dois cultos no Povoado da Tabua, sendo um em comemoração aos 91 anos de uma senhora do povoado. Na ocasião entregamos um porta-retrato com uma foto da aniversariante, tirada em culto realizado no mês de maio. Emocionada pelo gesto, ficou admirando por alguns minutos seu retrato. A maratona de visitas aos povoados da Fazenda da Picada, Gurutuba, Pacuí III, Tabua e no Pacuí I, tinha como objetivo consolidar o vínculo com as famílias visitadas, resgatar a confiança daqueles que não viam com bons olhos nossas investidas em outros povoados e finalizar o discipulado daqueles que serão batizados.
Dona Vitorina
Nosso maior desafio no campo missionário tem sido provocado por situações que maculam a Igreja de Cristo, como inveja, ciúme e mentiras. Saber que existem pessoas dispostas a desconstruir tudo o que tem sido feito e pregado ao longo destes 11 anos em que a Congregação tem investido no campo missionário, só pra satisfazer o próprio ego é impensável. Contudo o Senhor Jesus tem sido misericordioso e tem nos livrado dos instrumentos de satanás, que tem se levantando contra nossas vidas.
Nisto descobrimos quais são os propósitos de Deus para nossas vidas, uma vez que ele tem nos provado a fé, mostrando-nos a verdade espiritual que existe em nossa volta e o quanto somos presas fáceis, quando nos afastamos de sua presença. Porém não podemos retroceder, devemos seguir convictos que diante de nós existe um Deus Todo Poderoso, capaz de nos livrar de toda seta e levante.
A palavra de ordem ainda é a mesma descrita em Êxodo 14:15 - ...Dize aos filhos de Israel que marchem.” Mesmo que esteja no deserto e um mar lhe cerre o caminhar, espere em Deus, que maravilhas Ele fará.

"O maravilhoso do deserto é a sensação de que o fim da estrada nos leva ao céu. No limiar do campo de visão, as nuvens parecem quase tocar o solo".






Clamor no deserto

Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.” Mc 1:3

Um dia parei para pensar sobre este texto, mais exatamente na terça-feira, 19 de setembro de 2017. Sentado na sala, enquanto me preparava para mais um dia de trabalho, peguei minha Bíblia para levá-la comigo, quando ao retirar um documento que estava dentro dela, me deparei com este texto.
A princípio, li-o sem muito interesse, porém algo me chamou a atenção e voltei à leitura mais criteriosa. Sempre lia esta passagem com rapidez e a entendia como algo do tipo “voz que clama no deserto, preparai o caminho do Senhor…, como se alguém estivesse ordenando João Batista ao seu Ministério. Todavia não havia vírgula no texto, mas dois pontos indicando que a frase era do próprio pregador, dita pelo evangelista Marcos. Até neste ponto alguém pode dizer: “O que tem de especial nisto, o sujeito não sabe ler e interpretar texto e quer ser escritor agora?” Entretanto o que me chamou a atenção foi justamente o início da frase: Voz “do que” clama no deserto. Me lembrei da minha condição nas visitas ao campo missionário no Norte de Minas Gerais, em meio aos leitos secos de rios e paisagens desérticas, rodeado de mandacarus e arbustos espinhosos.
Minha esposa considera 2017 como o ano de nosso jubileu como missionários, onde decidimos dedicar todos os feriados prolongados para levar o evangelho àqueles que vivem sem o conhecimento de Deus em nosso Estado Natal. Viagens longas, sobretudo proveitosas nas madrugadas, a fim de gerir melhor o tempo que tínhamos para visitas, cultos e socialização com as comunidades.
Temos dispensado nossos dias em prol da proclamação do Evangelho, recebendo a Graça de Deus e por vezes, o escárnio dos homens. Por vezes entristecidos por palavras de ingratidão e até mesmo pelo desprezo de alguns que se dizem “irmãos” em Cristo. A obra no campo missionário é árdua e conflitiva. Nos tira de nossa zona de conforto e lança-nos num mar de incertezas e tribulações. Não importa onde seja, pois o inimigo de nossas almas nos desafia, quer seja num país fechado ao evangelho, ou em um vilarejo esquecido no sertão brasileiro, até mesmo na nossa vizinhança.