domingo, 29 de julho de 2018

MAS QUE PELEJA SÔ!


Se era pra não ser, não sei, só sei que fomos assim mesmo.
Que viagem! O que era pra ser feito em 10 horas levou 24 e se não fosse pela misericórdia de Deus, nem chegaríamos.  A saída foi tranquila, porém na metade do caminho, um alerta no painel do veículo que nos levava para o norte de Minas indicou o início das dores. O carro parado devido a um superaquecimento do motor era o indicativo das muitas lutas que viriam. Esperamos o dia amanhecer para tomar as primeiras providências. 
Aberto o capô e feitos os primeiros procedimentos, descobriu-se que a bomba d'água estava com defeito. Começou a corrida contra o tempo para encontrar a peça na cidade de Montes Claros. Depois de muitas ligações conseguimos a peça. Em certo momento, enquanto aguardávamos a chegada da peça, os irmãos em Cristo começaram a entoar o hino 578 da Harpa Cristã. De repente o lugar foi tomado pela Glória de Deus e todos cantavam cada vez mais alto. A alegria contagiou os que chegavam e os que conheciam o hino entraram no coro celestial. 
Feita a troca, seguimos viagem. 20 Km depois descobrimos que o defeito ainda persistia, desta feita por causa de uma junta queimada, o sistema de arrefecimento não funcionava direito. Parados novamente em um posto de combustíveis, esperamos o reboque que nos conduziria de volta. 
Mas a história na acabou aí. Mesmo a reboque não recuamos, seguimos até Catuti e de lá a providência divina nos conduziu até o destino, onde chegamos por volta das 22:30h. No caminho, instruído pelo Espírito Santo, fizemos valer a Palavra de Paulo a Timóteo que diz em sua segunda carta: "Prega a Palavra, insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e encoraja com toda paciência e sã doutrina (2Tm 4:2)". Com esta premissa aproveitamos as 3 horas em companhia do motorista do reboque para falar do amor de Cristo e ao final da viagem lhe presenteamos com uma Bíblia. 
Os dias que se seguiram mostraram o motivo de tanta luta pra chegar. Vidas se rendendo ao senhorio de Jesus, socorro aos necessitados, comunhão da Igreja e a Salvação em Cristo chegando aos que nele criam. 
Por tudo isso seguimos em frente, combatendo o bom combate, vencendo as adversidades com paciência e aprendendo a sermos dependentes sempre da Graça de Deus.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

CONTOS E CAUSOS

- Hum..hum! cadê 80 quilo?
- Arrumou a muntada e foi pescá lá no rio verde.
- Foi mais quem? Ele mais a muié subiram na mota, botaram a rede na cacunda e rumaram cedo pra lá, prumodiquê sinão num dava tempo pra pescaria.
- Mar moço, isperaram nem a aragem da chuva, hum...hum, esse povo é doido é?
- Queta moço, saíro achando que ia pescá piau e surubim, depois chega é com bufão e cari.
- E 150 quilo foi mais ele?
- Foi não moço. A muié dele arrumou um andaço que deu até delírio. Gorinha tava banhando lá na barrage... 

É com esta linguagem simples do sertanejo gorutubano que convivemos nos dias que passamos juntos lá na comunidade de Pacuí II, em Pai Pedro, no sertão do norte de Minas. Povo de vida simples, cheios de desconfiança com os desconhecidos e de fala cantada, sotaqueada num quase baiano. Enredados nesta vida, seguem seus afazeres na lida diária com o campo e o gado. Quando a chuva traz no seu encalço a cheia dos rios, carrega consigo a esperança de dias de fartura, seja na colheita ou na pescaria, de onde retiram sua subsistência. 
Sua riqueza está na sua cultura, no batuque de caixa,dança em que as mulheres rodopiam, fazendo girar as abas de seus vestidos. Nesta festa típica, homem só entra como instrumentista, ou se convidado pelas senhoras a dançar.
Ataviadas de lenços coloridos, levantam poeira com seu sapateado e embalam a noite com cantigas e histórias, contos e causos do sertão mineiro.

COMBATER O BOM COMBATE




“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” 2 Timóteo 3:1-5


Sempre que alguém se dispõe a servir a Deus, um campo de batalha se forma diante do seu caminho. Tribulações, perseguições e oposição de todas as formas e de todos os lados, até mesmo entre os considerados “irmãos” em Cristo, surgem como adversários da fé.


Nas Sagradas Escrituras vemos, vez ou outra, textos que mostram o quão árduo é o labor daqueles que dedicam suas vidas ao serviço do Evangelho. Em alguns podemos perceber que nem sempre é o diabo que se apresenta como opositor. Quando Paulo escreveu a Timóteo o texto acima, não citou obras de satanás, mas de pessoas que, por ignorância ou dureza de coração, se opõem a toda boa obra dos servos de Cristo. 


E não é de se estranhar se dentro da Igreja do Senhor surgir pessoas com os adjetivos citados, pois são nada mais do que o joio misturado ao trigo. Fingem ser bons quando não o são e esperam sempre a aprovação, ou a adoração/admiração dos outros. Fazem não para servir ao reino, mas para satisfazer seu próprio ego e buscar uma glória que não lhe pertence.


Destes devemos manter certa distância e não alimentar suas vaidades como muitos fazem, levando-os aos púlpitos e a liderar ministérios. Devemos nos lembrar que seus intentos não prevalecerão, como cita o texto de Paulo no versículo 9: “Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles.” 


Portanto sirva ao Senhor sem esperar ser reconhecido por homens, para que seu coração não se ensoberbeça e te desvie do caminho, tornando-se mau.


“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.” 2 Timóteo 3:14,15

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Preparando o caminho

Faltando pouco mais de um mês para o findar de 2017, partimos para o campo missionário com o firme propósito de discipular os irmãos em Cristo que irão passar pelo Batismo em Dezembro. Aproveitamos o feriado prolongado e, seguimos rumo ao norte de Minas Gerais. Chegando lá, uma agenda repleta de visitas, cultos, evangelismo e trabalho social nos aguardava. Dois cultos no Povoado da Tabua, sendo um em comemoração aos 91 anos de uma senhora do povoado. Na ocasião entregamos um porta-retrato com uma foto da aniversariante, tirada em culto realizado no mês de maio. Emocionada pelo gesto, ficou admirando por alguns minutos seu retrato. A maratona de visitas aos povoados da Fazenda da Picada, Gurutuba, Pacuí III, Tabua e no Pacuí I, tinha como objetivo consolidar o vínculo com as famílias visitadas, resgatar a confiança daqueles que não viam com bons olhos nossas investidas em outros povoados e finalizar o discipulado daqueles que serão batizados.
Dona Vitorina
Nosso maior desafio no campo missionário tem sido provocado por situações que maculam a Igreja de Cristo, como inveja, ciúme e mentiras. Saber que existem pessoas dispostas a desconstruir tudo o que tem sido feito e pregado ao longo destes 11 anos em que a Congregação tem investido no campo missionário, só pra satisfazer o próprio ego é impensável. Contudo o Senhor Jesus tem sido misericordioso e tem nos livrado dos instrumentos de satanás, que tem se levantando contra nossas vidas.
Nisto descobrimos quais são os propósitos de Deus para nossas vidas, uma vez que ele tem nos provado a fé, mostrando-nos a verdade espiritual que existe em nossa volta e o quanto somos presas fáceis, quando nos afastamos de sua presença. Porém não podemos retroceder, devemos seguir convictos que diante de nós existe um Deus Todo Poderoso, capaz de nos livrar de toda seta e levante.
A palavra de ordem ainda é a mesma descrita em Êxodo 14:15 - ...Dize aos filhos de Israel que marchem.” Mesmo que esteja no deserto e um mar lhe cerre o caminhar, espere em Deus, que maravilhas Ele fará.

"O maravilhoso do deserto é a sensação de que o fim da estrada nos leva ao céu. No limiar do campo de visão, as nuvens parecem quase tocar o solo".






Clamor no deserto

Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.” Mc 1:3

Um dia parei para pensar sobre este texto, mais exatamente na terça-feira, 19 de setembro de 2017. Sentado na sala, enquanto me preparava para mais um dia de trabalho, peguei minha Bíblia para levá-la comigo, quando ao retirar um documento que estava dentro dela, me deparei com este texto.
A princípio, li-o sem muito interesse, porém algo me chamou a atenção e voltei à leitura mais criteriosa. Sempre lia esta passagem com rapidez e a entendia como algo do tipo “voz que clama no deserto, preparai o caminho do Senhor…, como se alguém estivesse ordenando João Batista ao seu Ministério. Todavia não havia vírgula no texto, mas dois pontos indicando que a frase era do próprio pregador, dita pelo evangelista Marcos. Até neste ponto alguém pode dizer: “O que tem de especial nisto, o sujeito não sabe ler e interpretar texto e quer ser escritor agora?” Entretanto o que me chamou a atenção foi justamente o início da frase: Voz “do que” clama no deserto. Me lembrei da minha condição nas visitas ao campo missionário no Norte de Minas Gerais, em meio aos leitos secos de rios e paisagens desérticas, rodeado de mandacarus e arbustos espinhosos.
Minha esposa considera 2017 como o ano de nosso jubileu como missionários, onde decidimos dedicar todos os feriados prolongados para levar o evangelho àqueles que vivem sem o conhecimento de Deus em nosso Estado Natal. Viagens longas, sobretudo proveitosas nas madrugadas, a fim de gerir melhor o tempo que tínhamos para visitas, cultos e socialização com as comunidades.
Temos dispensado nossos dias em prol da proclamação do Evangelho, recebendo a Graça de Deus e por vezes, o escárnio dos homens. Por vezes entristecidos por palavras de ingratidão e até mesmo pelo desprezo de alguns que se dizem “irmãos” em Cristo. A obra no campo missionário é árdua e conflitiva. Nos tira de nossa zona de conforto e lança-nos num mar de incertezas e tribulações. Não importa onde seja, pois o inimigo de nossas almas nos desafia, quer seja num país fechado ao evangelho, ou em um vilarejo esquecido no sertão brasileiro, até mesmo na nossa vizinhança.