“Voz
do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as
suas veredas.” Mc 1:3
A
princípio, li-o sem muito interesse, porém algo me chamou a atenção
e voltei à leitura mais criteriosa. Sempre lia esta passagem com
rapidez e a entendia como algo do tipo “voz que clama no deserto,
preparai o caminho do Senhor…, como se alguém estivesse ordenando
João Batista ao seu Ministério. Todavia não havia vírgula no
texto, mas dois pontos indicando que a frase era do próprio
pregador, dita pelo evangelista Marcos. Até neste ponto alguém pode
dizer: “O que tem de especial nisto, o sujeito não sabe ler e
interpretar texto e quer ser escritor agora?” Entretanto o que me
chamou a atenção foi justamente o início da frase: Voz “do que”
clama no deserto. Me lembrei da minha condição nas visitas ao campo
missionário no Norte de Minas Gerais, em meio aos leitos secos de
rios e paisagens desérticas, rodeado de mandacarus e arbustos
espinhosos.
Minha
esposa considera 2017 como o ano de nosso jubileu como missionários,
onde decidimos dedicar todos os feriados prolongados para levar o
evangelho àqueles que vivem sem o conhecimento de Deus em nosso
Estado Natal. Viagens longas, sobretudo proveitosas nas madrugadas, a
fim de gerir melhor o tempo que tínhamos para visitas, cultos e
socialização com as comunidades.
Temos
dispensado nossos dias em prol da proclamação do Evangelho,
recebendo a Graça de Deus e por vezes, o escárnio dos homens. Por
vezes entristecidos por palavras de ingratidão e até mesmo pelo
desprezo de alguns que se dizem “irmãos” em Cristo. A obra no
campo missionário é árdua e conflitiva. Nos tira de nossa zona de
conforto e lança-nos num mar de incertezas e tribulações. Não
importa onde seja, pois o inimigo de nossas almas nos desafia, quer
seja num país fechado ao evangelho, ou em um vilarejo esquecido no
sertão brasileiro, até mesmo na nossa vizinhança.
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