quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Clamor no deserto

Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.” Mc 1:3

Um dia parei para pensar sobre este texto, mais exatamente na terça-feira, 19 de setembro de 2017. Sentado na sala, enquanto me preparava para mais um dia de trabalho, peguei minha Bíblia para levá-la comigo, quando ao retirar um documento que estava dentro dela, me deparei com este texto.
A princípio, li-o sem muito interesse, porém algo me chamou a atenção e voltei à leitura mais criteriosa. Sempre lia esta passagem com rapidez e a entendia como algo do tipo “voz que clama no deserto, preparai o caminho do Senhor…, como se alguém estivesse ordenando João Batista ao seu Ministério. Todavia não havia vírgula no texto, mas dois pontos indicando que a frase era do próprio pregador, dita pelo evangelista Marcos. Até neste ponto alguém pode dizer: “O que tem de especial nisto, o sujeito não sabe ler e interpretar texto e quer ser escritor agora?” Entretanto o que me chamou a atenção foi justamente o início da frase: Voz “do que” clama no deserto. Me lembrei da minha condição nas visitas ao campo missionário no Norte de Minas Gerais, em meio aos leitos secos de rios e paisagens desérticas, rodeado de mandacarus e arbustos espinhosos.
Minha esposa considera 2017 como o ano de nosso jubileu como missionários, onde decidimos dedicar todos os feriados prolongados para levar o evangelho àqueles que vivem sem o conhecimento de Deus em nosso Estado Natal. Viagens longas, sobretudo proveitosas nas madrugadas, a fim de gerir melhor o tempo que tínhamos para visitas, cultos e socialização com as comunidades.
Temos dispensado nossos dias em prol da proclamação do Evangelho, recebendo a Graça de Deus e por vezes, o escárnio dos homens. Por vezes entristecidos por palavras de ingratidão e até mesmo pelo desprezo de alguns que se dizem “irmãos” em Cristo. A obra no campo missionário é árdua e conflitiva. Nos tira de nossa zona de conforto e lança-nos num mar de incertezas e tribulações. Não importa onde seja, pois o inimigo de nossas almas nos desafia, quer seja num país fechado ao evangelho, ou em um vilarejo esquecido no sertão brasileiro, até mesmo na nossa vizinhança.


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