- Hum..hum! cadê 80 quilo?
- Arrumou a muntada e foi pescá lá no rio verde.
- Foi mais quem? Ele mais a muié subiram na mota, botaram a rede na cacunda e rumaram cedo pra lá, prumodiquê sinão num dava tempo pra pescaria.
- Mar moço, isperaram nem a aragem da chuva, hum...hum, esse povo é doido é?
- Queta moço, saíro achando que ia pescá piau e surubim, depois chega é com bufão e cari.
- E 150 quilo foi mais ele?
- Foi não moço. A muié dele arrumou um andaço que deu até delírio. Gorinha tava banhando lá na barrage...
É com esta linguagem simples do sertanejo gorutubano que convivemos nos dias que passamos juntos lá na comunidade de Pacuí II, em Pai Pedro, no sertão do norte de Minas. Povo de vida simples, cheios de desconfiança com os desconhecidos e de fala cantada, sotaqueada num quase baiano. Enredados nesta vida, seguem seus afazeres na lida diária com o campo e o gado. Quando a chuva traz no seu encalço a cheia dos rios, carrega consigo a esperança de dias de fartura, seja na colheita ou na pescaria, de onde retiram sua subsistência.
Sua riqueza está na sua cultura, no batuque de caixa,dança em que as mulheres rodopiam, fazendo girar as abas de seus vestidos. Nesta festa típica, homem só entra como instrumentista, ou se convidado pelas senhoras a dançar.
Ataviadas de lenços coloridos, levantam poeira com seu sapateado e embalam a noite com cantigas e histórias, contos e causos do sertão mineiro.
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