Foi pensando nesta sentença que decidi “explorar” as mais diversificadas nuances vocálicas gurutubanas. Inserida na comunidade há quase 12 anos, já habituada ao falar característico “de meu povo”, sendo pega de surpresa por verbetes que agora fazem parte do meu vocabulário, como “quieta”, “mosso” e “hun hunn”, decidi aprofundar pesquisas em relação à riqueza linguística que carregam e, lendo relendo, acabo por descobrir que esse meu povo “quirido” tem muito mais preciosidades que as a nós expostas durante todo esse tempo.
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| Prosa na varanda |
Qual não foi minha surpresa ao descobrir o Português Brasileiro Gurutubano (PBG), cheio de suas preciosidades vocálico-sonoras. Um “quieta mosso” é mais carregado de significantes do que apenas aquilo que interpretamos como “simples exclamação”.
Tal oralidade, ao contrário do posto socialmente como incorreto e empobrecedor, tem suas raízes muito mais aprofundadas no clássico português de Portugal do que nossa chula linguagem diária!
A oralidade de meu povo fala de seus hábitos, suas festas, hierarquia social e pertencimento geográfico, portanto, viva nós “muié” e nós “homi gurutubano”, viva os “veranico”, as “cona”, as “monga”, as nasalizações, desnasalizações, palatalizações, vocalizações, rotacismos e lambdacismos que fazem da troca do “o” e “e” pelo “u” e “o”, de Rogério por Rosélio, porque iguaumentchu aos povo de fora, semu um povo filíz!
Texto: Zélia Soares Santos Pereira

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