sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Lá no Norte de Minas

Entre apertos de mãos e abraços começou minha história com o povo do "Paqui". Confesso que no início tive dificuldade em entender o que falavam, devido a rapidez com que pronunciavam as palavras misturadas com o sotaque baiano. Todavia, juntando palavra aqui com sentido ali, me virava pra entender o dialeto gorutubano.  História esta que começou em dezembro de 2012, quando da primeira viagem missionária para o vale do Gurutuba. De lá pra cá foram mais de 20.000Km de estrada nas idas e vindas ao sertão do Norte de Minas. De carona ou com recurso próprio, foram inúmeras viagens, por rotas variadas, sempre com a disposição de fazer do caminho um laço que me  uniria a um povo.
Diferente do sertanejo do Vale do Jequitinhonha, o gurutubano é mais arredio, desconfiado de tudo e de todos. Não gostam de gente "preguntadora" e só conversam sobre determinado assunto com frases indiretas. Com o tempo acostumam com o visitante e se tornam bons companheiros de prosa, principalmente nas lamentações sobre a seca que castiga a terra e as dificuldades sociais. Te saúdam de longe e se você não "toma as horas", ou seja, responde com um bom dia, boa tarde, sentem-se ofendidos. Nas comunidades, é comum vê-los reunidos nas "vendas" nos finais de semana ou sentados na porta das casas no fim do dia, desenrolando um assunto ou outro. 
Desta forma, a vida segue e, passados 5 anos de visitas, atentei meus sentidos pra entender e admirar a cultura do gorutubano.

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